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ARGUMENT

 

 

 Si l’apport de la psychanalyse à la psychiatrie contemporaine n’est plus à mettre en doute, leur ‘bon mariage’ semble avoir pris l’eau depuis quelques années ; disons plus précisément depuis l’introduction des différents DSM. Puis plus récemment avec le tsunami que les neuro- sciences ont fait déferler, ce qui a contribué à l’éclatement définitif de la conception clinique de la psychiatrie, en particulier avec l’ ‘Autisme’. La psychanalyse, ou encore ce que l’on appelle ‘clinique psychanalytique’ aurait-elle quelque vertu d’un sauvetage de la psychiatrie ? Cette dernière, il faut bien le dire, s’en passe très bien au bénéfice d’un néo comportementalisme mâtiné de conceptions étiologiques génétiques, supposées rendre compte ‘enfin’ de tous les phénomènes où elle avait pu buter pendant de nombreuses années. En effet, la psychiatrie, face à un grand nombre de syndromes, ne pouvait offrir que des neuroleptiques ou une forme de contention raisonnée pourtant mise en cause par l’introduction de la psychiatrie de secteur ellemême héritière de la psychothérapie institutionnelle. À l’orée de ces nombreux changements postmodernes, c’est avec l’évacuation de l’inconscient au titre des pertes et profits, que toute la question du sujet se trouve à nouveau questionnée. La psychanalyse aurait-elle encore son mot à dire à une psychiatrie empreinte d’imagerie médicale spécialisée ? Le fait de pouvoir repérer maintenant des zones actives du cortex sans avoir besoin d’ouvrir le cadavre aurait-il définitivement apporté une solution au réel ? C’est ce que cette rencontre francobrésilienne de Convergencia se propose d’étudier dans un lien de convergence entre une psychiatrie issue des formations américaines outre-atlantique et une psychiatrie post dynamique française qui a bien du mal à reconnaître ses petits … 

ARGUMENTO

Se não há mais dúvidas sobre o aporte da psicanálise à psiquiatria contemporânea, esse "bom casamento" parece estar afundando há alguns anos; digamos, mais precisamente, após a introdução dos diferentes DSM. Depois, recentemente, o tsunami desencadeado pelas neurociências contribuiu para a explosão definitiva da concepção clínica da psiquiatria, particularmente com o "Autismo". A psicanálise, ou o que chamamos de "clínica psicanalítica", teria força para uma salvação da psiquiatria ? Esta última, é preciso dizê-lo, não precisa da psicanálise quando beneficia um neo-comportamentalismo mesclado de concepções etiológicas genéticas, que supostamente e "enfim" dariam conta de todos os fenômenos nos quais ela teria tropeçado durante muitos anos. Com efeito, a psiquiatria, face a um grande número de síndromes, só poderia oferecer neurolépticos ou uma forma de contenção racional, no entanto questionada pela introdução da psiquiatria setorizada, esta mesma herdeira da psicoterapia institucional. No limiar dessas múltiplas mudanças pós-modernas, com a liquidação do inconsciente a título de perdas e ganhos, encontra-se novamente interrogada toda a questão do sujeito. A psicanálise ainda teria algo a dizer a uma psiquiatria marcada pela imagiologia médica especializada ? O fato de agora ser possível identificar as zonas ativas do córtex sem a necessidade de abrir o cadáver teria trazido, definitivamente, uma solução ao real ? Eis o que este encontro franco-brasileiro da Convergência propõe estudar em um laço de convergência entre uma psiquiatria vinda das formações americanas do além-atlântico e uma psiquiatria pós-dinâmica francesa que tem muita dificuldade em reconhecer suas crias…